Gerir & Liderar | À mesa com Laurentina Gomes

Gerir & Liderar | À mesa com Laurentina Gomes

Gerir & Liderar | À mesa com Laurentina Gomes

Uma mulher portuguesa, empresária na área da tecnologia, que nada para e nada deixa pelo caminho.

No ano em que mais mulheres atletas portuguesas participam nos jogos olímpicos, faz todo o sentido convidarmos uma mulher portuguesa, ex-atleta, empresária na área da tecnologia, mulher de garra que nada para e nada deixa pelo caminho.

Falo-lhe de Laurentina Gomes, administradora e fundadora do Grupo português Liscic/ Listopsis.

Mãe de três filhos e ex-atleta federada fundista do Mem Martins e do Campolide, todos os dias entra religiosamente às 7h20 no ginásio para 50 minutos de treino, sempre com o mesmo espírito dos 20 anos.

Em pleno momento de crise, foi a grande mentora da aquisição da CVCIC, empresa tecnológica muito relevante no Porto e já em crise, do investimento na abertura de uma sucursal em Braga.

Laurentina tem conseguido que a empresa venha a ser repetidamente nomeada PME Líder, PME Excelência e Empresa Aplauso.

Convidámos a gestora a sentar-se à mesa do Sheraton Lisboa para uma conversa informal sobre as facetas da líder, os desafios do negócio e o equilíbrio entre vida familiar e vida profissional.

Gerir e Liderar (G&L): Fundou e lidera o único Grupo a representar há mais de 20 anos, em exclusivo e em Portugal, a Toshiba, tendo as demais concorrentes de mercado com sede própria no país. O que lhe permite continuar a fazê-lo?

Laurentina Gomes (LG): Na verdade, não tivemos nenhuma ação no facto de estarmos hoje sozinhos como única empresa portuguesa a representar uma grande marca… O colapso dos anteriores representantes e a subsequente entrada em Portugal das empresas-mãe com sede própria, não nos facilitou a batalha na competitividade direta, antes pelo contrário, mas abriu ao nosso Grupo novas oportunidades ao nível das soluções em cada cliente. Enquanto a nossa concorrência multinacional se foca nos seus próprios produtos e preços, o Grupo Liscic/Listopsis tem a capacidade e liberdade de apresentar um vasto leque de alternativas que, incluindo Toshiba, integram também muitas outras marcas e produtos que combinem a melhor das soluções para cada caso e cada cliente. Talvez seja esta a principal razão que nos permite essa boa performance como representante da Toshiba e, conforme a sua pergunta, ainda continuar a fazê-lo mais de 20 anos depois.

G&L: Mulher, empresária na área da tecnologia em Portugal, mãe de três filhos e ex-atleta federada do Mem Martins e do Campolide, sendo que todos os dias religiosamente às 7h20 entra no ginásio para 50 minutos de treino. Como gere o seu tempo e que dicas dá para as mulheres que desejam vingar no mundo da tecnologia?

LG: É verdade, acho que nunca perdi o “bichinho “do desporto.

Quando chego ao escritório, venho com muita energia e espírito ganhador, porque começo por competir pela manhã comigo própria e até testar os meus limites.

Hoje que as tecnologias estão ao alcance das mulheres em todas as funções, as minhas dicas para as mulheres obterem sucesso em qualquer indústria são, acima de tudo, adquirirem as melhores competências, quer através de cursos universitários quer técnicos, que se apliquem às ambições e carreiras que querem prosseguir. E que vão atrás dos sonhos e os façam acontecer com convicção e confiança, resistindo às dificuldades do contexto global complexo, digital e altamente competitivo. Finalmente, terem uma enorme apetência e flexibilidade para a mudança!

G&L: Em plena crise económica no país, foi a grande mentora pela aquisição da CVCIC. O que a fez acreditar e querer correr o risco?

LG: A presença direta da nossa empresa no Norte de Portugal tornou-se uma questão estratégica, sobretudo a partir de 2005, quando os agentes locais começaram a denotar dificuldades na evolução tecnológica dos equipamentos. Um desses agentes, a CVCIC, atuante na região do Porto e grande Porto, apresentava, ano após ano, níveis insatisfatórios de performance e de vendas, o que não era consentâneo com a importância e o potencial económico do território.

Por isso, investi toda a minha energia positiva na equipa que, com garra e confiança, adotou o novo projeto e as orientações estratégicas do Grupo e constitui hoje uma excelente equipa de trabalho, conseguindo que tantas empresas elegessem a Listopsis Norte como o seu parceiro tecnológico de confiança na região.

G&L: Qual o momento mais desafiante que viveu até hoje? O que é que a vida lhe ensinou?

LG: Os momentos mais desafiantes foram, sem dúvida, o nascimento dos meus filhos e, em particular, a gravidez de gémeos, uma vez que a gravidez da primeira filha decorreu de forma natural. A gravidez gemelar tem caraterísticas próprias, com grande risco de parto prematuro, daí uma maior responsabilidade e determinação para conciliar a vida pessoal e profissional com os cuidados acrescidos que a gravidez gemelar exige, em nove meses de alerta permanente. Hoje, orgulho-me de cada um dos meus filhos, dos seus valores, percursos e atitude perante a vida.

Ao nível profissional, a criação de duas empresas de sucesso, a Liscic que representa uma multinacional em Portugal, a Toshiba, e a Listopsis, que em plena crise expandiu o negócio num cenário em que muitos concorrentes desapareceram nos últimos anos, tem sido um trabalho de equipa, conjuntamente com Joaquim Guerreiro e a nossa equipa de gestão, com quem nós partilhamos os sucessos do nosso Grupo.

A vida ensinou-me que a felicidade deve partir de nós mesmos, que não podemos ser sempre felizes, porque as dificuldades e adversidades são parte da vivência, que a maior felicidade está nos momentos e coisas simples, e que vale a pena viver, apesar de todos os desafios, acontecimentos menos bons e mesmo perdas de pessoas que ocupam um lugar muito especial no nosso coração. Devemos encarar a vida com sorrisos e boa disposição, pois fica mais leve e gera mais otimismo.

Gosto muito da frase de Fernando Pessoa que diz …  “às vezes ouço passar o vento, e só de ouvir o vento passar, vale a pena ter vivido”.

Pelo contrário, eles têm de ser um estímulo para mudar, melhorar, por vezes mesmo abandonar projetos profissionais ou até pessoais, em que insistir pode ser o pior caminho.

G&L: O que está ainda por fazer acontecer na vida da Laurentina?

LG: Tenho alguns projetos de vida que passam pela expansão do Grupo e também pessoais. Os pessoais passam pela concretização de um sonho que gostava de realizar quando tivermos o problema da sucessão resolvidos no Grupo, o que obviamente ainda demorará uns anos. Gostaria de aplicar todas as minhas competências adquiridas no desenvolvimento de um projeto inovador de cariz social.

O tempo vai encarregar-se de me dar a resposta!

 

 

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